Tá todo mundo aí?

Esta semana estou encerrando uma etapa importante de um trabalho inédito para mim. Um sonho que hoje posso dizer realizado. Tenho feito, nesses dias que antecedem o carnaval, as últimas fotos do barracão da escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel.

Sei, o carnaval é só na semana que vem, ainda há tempo. Tempo pode haver, o que falta é o que fazer. A Mocidade está pronta.

Me dei conta disso depois de ver os carros alegóricos sendo paulatinamente construídos, do ferro ao acabamento.

Na medida em que as peças iam ficando prontas eram completamente embaladas com plásticos pretos para proteger da poeira e as esconder dos olhares curiosos e cobiçosos.

Passei uns três dos quatro meses que zanzei pelo barracão, driblando o tal plástico e correndo para fotografar as partes da alegoria antes que fossem engolidas por ele. O mesmo vale para o atelier de fantasias e adereços, no quarto andar.

Na última quarta feira, quando cheguei na varanda do terceiro andar, na parte administrativa da escola e ângulo que defini sempre começaria o caminho pré estabelecido das sessões de fotos (por dar uma noção geral do andamento dos trabalhos) levei um baita susto.

Aos meus pés uma profusão de cores, riqueza de detalhes e texturas das alegorias descobertas encheu minha visão.

Fiquei ali, sem ação, enquanto o filme dos últimos quatro meses passava pela minha cabeça. Começava no dia em que, chegando de Cuiabá, liguei para o professor Maurício d’Paula, meu colega de Gestão e Eventos Carnavalescos, propondo que fizéssemos um making of da sua performance na Sapucaí. É que, além das aulas de português, Maurício é destaque performático da Mocidade e, soube naquele momento, Coordenador de Destaques da escola.

Ele me apresentou ao carnavalesco Cid Carvalho que ampliou a proposta e minha responsabilidade sugerindo que o projeto deixasse de ser de um curta e virasse um longa fotográfico de primeira  linha.

Delimitamos o trabalho. Mirei no barracão e, como já pretendia fotografar pelo menos um ensaio técnico de cada escola na Sapucaí, incluí os dois ensaios da Mocidade e suas respectivas armações. Ali estava o povo da Mocidade.

O barracão pela áurea que o envolve. Um local secreto, em que são criadas as peças que darão a dimensão operística e plástica do espetáculo. O ensaio por ser ali que se encontra o elemento humano que transcende com sua voz e expressão corporal o simples cruzar a Passarela do Samba.

Do que vi tenho algumas coisas para falar e milhares de fotos para mostrar. As imagens formam um quebra-cabeça que estará completo na segunda feira de carnaval, quando a verde e branco entrar na avenida. Não sei o que vou sentir. Só sei que reconhecerei em cada elemento o trabalho que vi brotar de mãos simples e talentosas. Mas isso é apenas uma parte.

O mais importante vai ser registrar para a posteridade as expressões das pessoas com quem convivi no barracão e nos ensaios na Sapucaí. Integradas na fantasia coletiva que ajudaram a construir, embaladas no sonho que projeta a esperança de serem felizes e terem o devido – e merecido – reconhecimento pelo trabalho que tiveram para fazer, não mais um, mas este carnaval.

Obrigado, Mocidade. Valeu, companheiros de trabalho e maravilhosos personagens.

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte da série Ponta do Leme, do SEM FIM

ILUSTRADO DOMINGO    JULHO 2009






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