Divini Seminatori



cropped-copy-cover3.jpg Carnevale, Rio de Janeiro, Brasile. Le scuole di samba sono le stelle dello spettacolo. Da semplici e umile mani germoglia l’arte che esplode nella parata. Nei capannoni nascono costumi e carri allegorici. Rappresentazioni plastiche della narrazione lirica. Un puzzle pulsante, costruito dal talento di artisti anonimi. Seminato con amore per imparare mestiere, il divino lavoro del Carnevale interpretato dalle immagini di Valeria del Cueto

Oxalá acima de tudo, Mangueira acima de todas

By on 08/03/2019

Oxalá acima de tudo, Mangueira acima de todas! 

Os filhos fiéis comemoram: a Nação Verde e Rosa é campeã.

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Que carnaval foi esse! O desfile das escolas de samba do grupo especial, no sambódromo carioca, na Marquês de Sapucaí, é um resumo desse caldeirão chamado Brasil. Enquanto o país patina na crise e a falta de recursos é geral, lá o produto mais distribuído foi dinheiro. De corruptos, vendidos e ladrões. Na São Clemente, Paraíso do Tuiuti e Imperatriz. Além de cédulas também voaram pelo espaço aéreo da Passarela do Samba, o Padim Padre Cícero, na União da Ilha, e os emojis na Grande Rio. Nada que fizesse subir, aos céus do sábado das campeãs, nenhuma das citadas.

              Na montagem, enquanto a Fenix carrega no bico o símbolo da vice-campeã Viradouro, Padre Cícero e emogis passeiam pelo espaço aéreo do setor 1.

Sobe a Estácio de Sá. Junto com o Império Serrano, a Imperatriz foi rebaixada. A escola mais injustiçada, novamente, foi a São Clemente. Seu desfile delicioso deu o recado reeditando do enredo “O Samba, sambou”. “Luzes câmeras e som, mil artistas na Sapucaí…”

 

Na São Clemente, recado direto para o prefeito Crivella.

Esse ano, a TV Brasil não transmitirá o desfile das campeãs. E é melhor assim. Seria difícil não enquadrar os protestos que, certamente, aparecerão depois da performance presidencial em suas postagens carnavalescas. O que por um lado pode ser ruim, por outro, garante que as redes sociais vão bombar na noite de sábado, o desfile começa às 21:15h.

Quem abre a festa é a Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola cai dentro do tema proposto “Eu sou o Tempo. Tempo é Vida”. No abre alas com sua mítica estrela, Elza Soares, será festejada no enredo de 2020. O futuro já começou em Padre Miguel.

A Estrela da Mocidade aponta para o futuro: Elza Soares vai brilhar em 2020

A seguir vem o quinto colocado, Salgueiro, com “Xangô”. As dificuldades, capitaneadas pela disputa à presidência da escola, se refletiram na apresentação. Embalado por um ótimo samba, o casal de porta-bandeira e mestre sala, Marcella Alves e Sidcley, retornou ao posto, depois de afastado pela antiga diretoria.

Marcella Alves, Sidcley e o pavilhão salgueirense.

Salgueiro canta Xangô, composição de carro.

O destaque do tripé em que vinha Djalma Sabiá, último remanescente do grupo de fundadores e presidente de honra do Salgueiro, passou mal e desapareceu no meio de plumas e adereços. Foi retirado da pista pelos bombeiros, logo depois da torre de TV.

A Portela trovejou, mas não relampejou cantando Clara Nunes. A azul e branco perdeu pontos em alegorias e adereços, bateria, comissão de frente e evolução. A ala desenhada por Jean PaulGaultier, que não pode comparecer, contou com personalidades francesas e foi inspirada em marinheiros bleu, blanc, rouge.

Ala da Portela, efeito e movimento na pista

Já a Vila Isabel de Martinho, num luxo só para cantar as belezas da Petrópolis Imperial, terceira colocada, perdeu décimos em quesitos em que sempre foi forte: enredo, bateria e samba.

Portões de Petrópolis, cenário imperial brasileiro

Carro alegórico da Vila, tecnologia de Parintins

Destaque da Vila

O que não foi bom para a escola do bairro de Noel ano passado, caiu como uma luva na Viradouro. A letra do samba já cantava “O brilho no olhar, voltou…” Vinda do Acesso, a representante de Niterói deu uma incrível arrancada com a chegada de Paulo Barros, alcançando o vice-campeonato com “ViraViradouro”.

Componentes realizados: do acesso ao vice-campeonato da escola de Niterói.

O samba é capaz de coisas incríveis. O governador Wilson Witzel, não estava na pista no desfile do Paraíso do Tuiuti, quinta escola a desfilar na segunda feira, falando do bode eleito vereador. Mas aquele que, um dia, foi fotografado comemorando com correligionários que rasgaram a placa de Marielle Franco, não fez forfait na hora de beijar o pavilhão verde e rosa.

O governador do Rio de Janeiro beija(?) a bandeira da Mangueira, a escola que trouxe Marielle Franco no enredo.

A passagem da Mangueira foi avassaladora, com o enredo “Histórias pra ninar gente grande”, do carnavalesco Leandro Vieira (Marielle é citada no samba), falando da história que a história não conta. Incluindo a dos culpados pelo assassinato da vereadora, há praticamente um ano.

Os filhos fiéis comemoram: a Nação Verde e Rosa é campeã.

Não foi uma conquista fácil. A escolha do enredo, a disputa apertada do samba, o trabalho heroico da direção ao unir a comunidade enquanto a agremiação era achincalhada, com poder municipal a responsabilizando pela perda de patrocínios. E a comunidade lá, na quadra, na roda. Cantando nos ensaios como se não houvesse amanhã e driblando os obstáculos. No barracão, a falta de recursos. Leandro Vieira e sua equipe se virando. Foi um processo complicado. E o povo lá!

Squel Jorgea, Matheus Olivério e o pavilhão verde e rosa.

Ao pisar na Sapucaí a verde e rosa vai cheia de moral, cantando de peito aberto pelo direito de ser e dizer. Livre. Da ignorância, do preconceito, da tentativa vã de calar a voz do povo, do samba. De transformar nossa festa na mais reles pornografia.

Comemorando 60 anos, a bateria da Mangueira com mestre Wesley gabaritou. 10 em todos os módulos.

A Mangueira é história e faz história no palco que lhe cabe. A passarela do povo. Criada há 35 anos por Oscar, Darcy e Brizola. Palco plural de cultura popular, resistência e, sim, onde a voz do samba se faz ouvida. Do nosso chão, para mundo inteiro.

Evelyn Bastos, a Rainha de Bateria, vibra.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Ordem dos desfiles:
Mocidade Independente
Salgueiro
Portela
Vila Isabel
Viradouro
Mangueira

Clique AQUI para acessar o ensaio fotográfico e os vídeos da pagina Na luta é que a gente se encontra,  Mangueira Campeã

  

Diagramação Luiz Márcio – Gênio a quem agradeço, junto com a direção do Diário de Cuiabá!

 

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CarnevaleRio de Valéria del Cueto @delcueto